domingo, 25 de dezembro de 2011

Confeitaria Colombo


"Dizem de Shakespeare que, se a humanidade perecesse, ele só poderia recompô-la, pois que não deixou intacta uma fibra sequer do coração humano. Aplico el cuento. A rua do Ouvidor resume o Rio de Janeiro. A certas horas do dia, pode a fúria celeste destruir a cidade; se conservar a rua do Ouvidor, conserva Noé, a família e o mais. Uma cidade é um corpo de pedra com um rosto. O rosto da cidade fluminense é esta rua, rosto eloqüente que exprime todos os sentimentos e todas as idéias...
– Contínua, meu Virgilio.
– Pois vai ouvindo, meu Dante.

Queres ver a elegância fluminense? Aqui acharás a flor da sociedade, as senhoras que vêm escolher jóias ao Valais ou sedas à Notre Dame, os rapazes que vêm conversar de teatros, de salões, de modas e de mulheres."

Machado de Assis, in Tempo de Crise (publicado no Jornal das Famílias, abril/1873). Fonte: Blog "Samba do Ouvidor"



Estava nos meus planos, desde o início: assim que desembarcar no Rio de Janeiro, quererei ir à Colombo.
Estamos falando de um ícone da Belle Époque, no coração (centro antigo) da cidade maravilhosa. A Colomba é uma senhora centenária (117 anos), mas que conserva todo a elegância e esplendor de uma época marcante, cá no Brasil.


Confesso: quis ir à Colombo tão somente para sentar ali, pedir um chocolate quente e... queria me sentir uma personagem do Machado de Assis. Porque é exatamente assim que a gente se sente, no instante em que pisa lá. Não tenho dúvidas de que este será um post pobre de adjetivos, porque muito do que eu disser, não vai chegar à altura da beleza do lugar.
Por isso abri esta postagem com um trecho do Machado, falando da Rua do Ouvidor (que é bem perto da Colombo) e de costumes do final do século XIX.


Mas voltemos um pouco...

Na noite anterior, fui à Lapa e via celular intimei um amigo querido (que mora no Rio) a ir comigo à Colombo, na manhã seguinte, bem cedinho. Ele topou sem pestanejar.
Suspeito que ele ficou empolgadíssimo porque como paraense, morando no RJ há pouco tempo, ele me enviou um SMS: "já sei onde fica e como chegar lá. Vai ser fácil".

E foi! Era uma manhã de sexta-feira e o tempo não estava ajudando. Sob uma chuva bem fininha, chegamos ao velho centro da cidade e rapidamente encontramos a Rua Gonçalves Dias (onde fica a Colombo), mas ela ainda estava fechada =(
Funcionários cuidadosamente retiravam bandejas e bandejas de dentro de um mini-caminhão e nos informaram que abririam em mais uns 10-15 minutos. Fomos conhecer a famosa Rua do Ouvidor e voltamos.

Lá estava ela... linda, imponente e matadora. Sim, porque se a arquitetura e a História te encantam, as vitrines onde doces delicadíssimos (quase joias, sem exagero!) estão expostos vão te deixar enlouquecidos.






Empolgadíssimos, eu e Rodolfo pedimos o cardápio (o maitre da confeitaria veio nos atender) e nos perdemos entre centenas (é sério, centenas!) de opções. O serviço é primoroso, os funcionários são polidíssimos, contidos, muito educados. Como não amar?!?


Pedimos chocolate quente (óbvio), torradas francesas (enoooooormes) e tortinhas doces (pelas quais nos apaixonamos).





A conta? Não lembro, gente. Estava tão feliz, tão encantada, que paguei com vontade de ficar. Não lembro.

Confeitaria Colombo
Rua Gonçalves Dias, 32 - Centro, Rio de Janeiro - RJ
(021)2505-1500

ATUALIZAÇÃO: A Rua Gonçalves Dias tem histórias fan-tás-ti-cas pra contar. Duvidam? Cliquem aqui

Um comentário:

Joseney Reis disse...

Adorei esse post, e com certeza quando voltar ao Rio de Janeiro irei conhecer este belo lugar. Sou apaixonado por fatos históricos e antigos, como lugares, imagens, vídeos e só de ver as imagens do post fiquei encantado.
Parabéns pela publicação.

Joseney Bsílio
Belém - Pará