domingo, 24 de outubro de 2010

Café da tarde


Ah... vocês já sabem, não? Adoro esse doce que, cá pelo Norte, chama-se "salva-vidas". É um micro bolo, tricolor em sabores "respectivos" às cores: morango, chocolate e leite.
Ganhei uma caixa deles (com umas 8 unidades) de uma tia sabedora de minha paixão. Foi a felicidade do café da tarde!

Revista Sopro


Esta bloggeira que a vocês escreve neste domingo, informa: está no ar a publicação mais chique, mais modernosa, mais linda que já li. A Revista Sopro.
É uma revista de moda e comportamento super atual, sem clichês (muito ao contrário!) feita por um grupo de profissionais apaixonados. Eis que ano passado, muito antes de a revista virar realidade, fui convidada por eles para assinar a coluna de Gastronomia: a "Tomates & Batatas" (algo familiar?). O convite, que tanto me honrou, foi aceito prontamente! E muito me orgulha ver o trabalho PRIMOROSO dessa moçada. Você, caro leitor, amigo deste blog, há de concordar comigo.

Para ler a coluna "Tomates & Batatas", você clica aqui (e espera carregar um pouco, tá?)

Mas leia a revista toda. Garanto, você também vai se apaixonar! Clique aqui ou vá para o endereço: www.revistasopro.com

T&P no "Em sua companhia"

Há alguns (muitos) dias, fui a convidada do Fabio, no programa "Em sua companhia" (que vai ao ar pela TV RBA - Belém, de segunda à sexta), para falar sobre o slowfood, jornalismo gastronômico e fazer um receita nordestina maravilhosa: pirão de ovos.
Foi uma manhã deliciosa, porque falamos sobre o slow food e na minha opinião TODOS deveriam conhecer.
Adorei a experiência, viu Fabio? Bora fazer isso mais vezes?
Algumas fotos para vocês:
href="http://4.bp.blogspot.com/_3pp2LJuHvVk/TMS40GnNfRI/AAAAAAAAC3U/rM7cBfDEsO0/s1600/DSC02146.JPG">

terça-feira, 19 de outubro de 2010

No more lonely nights



Ao, Maca (Paul McCartney), com carinho, em breve, no Brasil... No more lonely nights, de 1984.

Tortinha de... de quê, mesmo?


Mais post é da série "fotos-que-deveriam-render-posts-e-foram-esquecidos-em-alguma-pasta-do-pc".
O título deste post não é exatamente muito "apetecedor" (é neologismo?), então explico: acontece com você também? Ter vááááááários potinhos na geladeira com algumas "sobras"? A minha tinha alguns (muitos): brócolis cozido, ricota (um pedacinho), milho verde, uma linguiça defumada...
Você faz a massa, aquela velha amiga de sempre: manteiga e trigo (sal a gosto) e com essa massa forra uma forma. Leve ao forno (pré-aquecido, 10 min.) por outros 10 minutos, retire (eu gosto da massa bem assada) e coloque o recheio: usei os tais potinhos, bati o ovo com um pouco de creme de leite, guarneci o recheio e levei ao forno por outros 20 minutos (vá acompanhando, para não deixar queimar).
Ah, também tinha
uma garrafa de vinho branco, aberta no dia anterior... Dúvidas? rs

Chocolateria (e sorveteria) D'Amazônia




Esse post é da série "fotos-que-deveriam-render-posts-e-foram-esquecidos-em-alguma-pasta-do-pc".
Já tem algum tempo que fiz essas fotos. E pela (má)qualidade delas, vocês sabem que foram feitas com o cel.
A chocolateria D'Amazônia é produto da Incubadora de Empresas da UFPA (ainda pretendo escrever sobre ela) e já forte, ganhou o mercado e pontos próprios, como o que fica anexo ao Armazém Santo Antônio, na Quintino Bocaiuva, em Belém. Como vizinha que sou, sempre que posso, estaciono por lá, porque além dos chocolates, agora o "mix" oferece sorvetes e eu gosto bastante do sabor "iogurte desnatado". O preço é justo, competitivo e o horário é compatível ao do Armazém. Em suma: se você tiver vontade de tomar sorvete Às 23h, provavelmente encontrará a D'Amazônia aberta.


Um destaque merecido: as casquinhas - de você gostar, é um convite - recebem chocolate derretido, confeitos, estrelinhas de açúcar. Mas tem do tipo simples também.


E os esmero com a apresentação dos chocolates, hein? Tudo lá é muito, muito caprichado. Destaque para as barrinhas e chocolate com damasco. Eu gosto e apreciei mais umas duas.


As atendentes são muito gentis e o ambiente é pra lá de acolhedor, com ar-refrigerado potente.
Vai por mim: passa lá, pede um sorvetinho e contemple a paisagem.

Calma, eu tenho um plano!


A casa tá empoeirada, e há algumas teias de aranha...
Resultado de duas (ou mais) semanas de ausência, que esta blogueira tirou, para pôr em ordem a vida (caótica) e aos poucos, voltamos à nossa programação normal.
"Desculpem o transtorno. Estamos trabalhando para o seu conforto"!

Beijos saudosos,

Ló.

sábado, 9 de outubro de 2010

Flores para Maria


Vai dizer que só porque não tem vaso, não vai enfeitar sua casa com flores?
Eu fui de jarra de vidro e ficou lindo!

Doodle do John Lennon



Homenagem do Google aos 70 anos de John Lennon. Paixão à primeira vista...

sábado, 2 de outubro de 2010

Sedução



"Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado."

A festa de Babette, por Rubem Alves

Um dos meus prazeres é passear pela feira. Vou para comprar. Olhos compradores são olhos caçadores: vão em busca de caça, coisas específicas para o almoço e a janta. Procuram. O que deve ser comprado está na listinha. Olhos caçadores não param sobre o que não está escrito nela. Mas não vou só para comprar. Alterno o olhar caçador com o olhar vagabundo. O olhar vagabundo não procura nada. Ele vai passeando sobre as coisas. O olhar vagabundo tem prazer nas coisas que não vão ser compradas e não vão ser comidas. O olhar caçador está a serviço da boca. Olham para a boca comer. Mas o olhar vagabundo, é ele que come. A gente fala: comer com os olhos. é verdade. Os olhos vagabundos são aqueles que comem o que vêem. E sentem prazer. A Adélia diz que Deus a castiga de vez em quando, tirando-lhe a poesia. Ela explica dizendo que fica sem poesia quando seus olhos, olhando para uma pedra, vêem uma pedra. Na feira é possível ir com olhos poéticos e com olhos não poéticos. Os olhos não poéticos vêem as coisas que serão comidas. Olham para as cebolas e pensam em molhos. Os olhos poéticos olham para as cebolas e pensam em outras coisas. Como o caso daquela paciente minha que, numa tarde igual a todas as outras, ao cortar uma cebola viu na cebola cortada coisas que nunca tinha visto. A cebola cortada lhe apareceu, repentinamente, como o vitral redondo de catedral. Pediu o meu auxílio. Pensou que estava ficando louca. Eu a tranqüilizei dizendo que o que ela pensava ser loucura nada mais era que um surto de poesia. Para confirmar o meu diagnóstico lembrei-lhe o poema de Pablo Neruda "A Cebola", em que ele fala dela como "rosa d'água com escamas de cristal". Depois de ler o poema do Neruda uma cebola nunca será a mesma coisa. Ando assim pela feira poetizando, vendo nas coisas que estão expostas nas bancas realidades assombrosas, incompreensíveis, maravilhosas. Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações para lugares onde, segundo relatos de outros, algum anjo ou ser do outro mundo apareceu. Quando quero ter experiências místicas eu vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquis e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. Entidades encantadas. Seres de um outro mundo. Interrompem a mesmice do meu cotidiano.

Pimentões, brilhantes, lisos, vermelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões. Nabos brancos, redondos, outros obscenamente compridos. Lembro-me de uma crônica da querida e inspirada Hilda Hilst que escandalizou os delicados: ela ia pela feira poetizando eroticamente sobre nabos e pepinos. Escandalizou porque ela disse o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer. Roxas berinjelas, cenouras amarelas, tomates redondos e vermelhos, morangas gomosas, salsinhas repicadas a tesourinha, cebolinhas, canudos ocos, bananas compridas e amarelas, caquis redondos e carnudos (sobre eles o Heládio Brito escreveu um poema tão gostoso quanto eles mesmos), mamões, úteros grávidos por dentro, laranjas alaranjadas (um gomo de laranja é um assombro, o suco guardado em milhares de garrafinhas transparentes), cocos duros e sisudos, pêssegos, perfume de jasmim do imperador, cachos de uvas, delicadas obras de arte, morangos vermelhos, frutinhas que se comem à beira do abismo... Minha caminhada me leva dos vegetais às carnes: lingüiças, costelas defumadas, carne de sol, galinhas, codornizes, bacalhau, peixes de todos os tipos, camarões, lagostas. Os vegetarianos estremecem. Compreendo, porque na alma eu também sou vegetariano. Fosse eu rei decretaria que no meu reino nenhum bicho seria morto para nosso prazer gastronômico. Mas rei não sou. Os bichos já foram mortos contra a minha vontade. Nada posso fazer para trazê-los de volta à vida. Assim, dou-lhes minha maior prova de amor: transformo-os em deleite culinário para que continuem a viver no meu corpo. De alguma maneira vivem em mim todas as coisas que comi. Sobre isso sabia muito bem o genial pintor Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), que pintava os rostos das pessoas com os legumes, frutas e animais que se encontram nas bancas da feira. (Dê-se o prazer de ver as telas de Arcimboldo. Nas livrarias, coleção Taschen, mais ou menos quinze reais).

Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.

Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.

Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.

Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida...


O texto acima foi publicado no jornal "Correio Popular", Campinas(SP), com o qual o educador e escritor colabora.

Aqui, a versão do T&P para a Festa de Babette.

À Débora, que inspirou esta busca. E a todos os queridos (poucos e fiéis) que seguem este blog. Meu carinho e amor sempre!

Imagem: Channel4.com

Círio em 10 posts


Foto: Skycrapcity/bicolor2005
Porque no próximo domingo, 10, Naza passeará pelas ruas da cidade, decidi revisitar Círios anteriores, nesses 3 anos do Tomato&Potato. Vamos começar?

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