sábado, 3 de novembro de 2007

Fabio e Physalis


Tem uma história que o Fabio (Sicília) sempre conta nos workshops dele, principalmente quando se discute valorizar o que é da terra. Aliás, pedi licença a ele para contar essa história aqui.

Quando o Fabio foi morar na Itália (para estudar Gastronomia no ICIF), uns 15 anos atrás, apresentaram para ele uma frutinha lindinha, bem cara por lá (“já calculei em valores atuais e cheguei a ligar para um conhecido chef que mora lá, só para saber a cotação da fruta”, falou o Fabio dia desses): 54 Euros. Um absurdo: quase R$150 reais o quilo da fruta. A tal frutinha (que lembrava muito uma cereja desbotada, meio laranja) era vedete entre os chefs europeus e chegou a ser comparada com trufas negras (nossa!!!). “Não dava para trazer na mala, por conta do tempo de viagem”, ele disse.

Ele prometeu que quando voltasse para o Brasil, procuraria a tal fruta em São Paulo, parada obrigatória no retorno para Belém.

Saiu caminhando pelo Mercado Municipal de Sampa e encontrou a tal fruta: Physalis. Em terra tupiniquim, o valor da fruta era bem salgadinho, mas bem mais acessível que na Europa (uns R$50) e, convenhamos, de São Paulo para Belém seriam só 5 horas. Lá veio o Fabio, com as tais frutas na mão.

Dia seguinte: reunião com os funcionários do Dom Giuseppe – todos curiosíssimos pelas novidades do recém-formado chef e ele mais excitado ainda:
“Trouxe para vocês uma frutinha que é vendida a peso de ouro na Europa – Physalis é o nome dela, foi super cara”. Lógico que todos fizeram fila para ver e ao abrir o pacote. Logo, veio o ar de desapontamento... Um funcionário externou o sentimento coletivo:

“Ei Fabio, isso é camapu, dá no quintal de casa, é considerado mato aqui no Pará e eu sempre mando queimar... Ô gostinho”





Physalis Angulata, vulgo "camapu".

3 comentários:

Melanie disse...

Oi ! Adorei a historia ! Eu também vi essa frutinha na frança e fiquei boba com o preço já que aqui em Minas, ela é mato também ! Até dificil de encontrar porque nas fazendas e campos, todo mundo queima sem dar importância ! Só que aqui ela chama Juá !
Beijocas
Mel

Lorena Filgueiras disse...

Oi Melanie, obrigada pela visita. Volte sempre. É Juá por aí? Vou contar ao Fabio. Grandes beijos para ti.

Peter Schües disse...

Realmente uma história engraçada esta do chef Fábio. Eu também me interessei por esta fruta maravilhosa e cheia de propriedades benéficas e a cultivo em pequena escala na Serra da Mantiqueira em solo orgânico com ótimo resultado. Frutas grandes e saborosas. Tenho um blog sobre o assunto e convido a todos que se interessarem pela Physalis.
Saudações
http://physalisorg.blogspot.com